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27/03/2018 08:51 | Autor: Editor
Fonte: Ivan Santos/Bem Paraná

Beto Richa renuncia ao governo em 6 de abril para disputar o Senado

Foto:: Franklin de Freitas
Vice Cida Borghetti assume; tucano não revela quem vai apoiar para sucessão estadual

Depois de muito suspense, o governador Beto Richa (PSDB) confirmou nesta segunda-feira (26) que vai renunciar ao mandato no próximo dia 6, um dia antes do prazo final, para disputar uma das vagas para o Senado. Por lei, ele teria até 7 de abril, ou seis meses antes da eleição, para se desincompatibilizar. Com isso, assume o governo até 31 de dezembro a vice-governadora Cida Borghetti (PP), desde já pré-candidata à reeleição. Richa, porém, não anunciou quem vai apoiar para sucedê-lo ou em qual chapa pretende concorrer a senador. Além de Cida Borghetti, o deputado estadual Ratinho Júnior (PSD), que foi secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano na atual gestão, também é pré-candidato ao governo.

“Tomei a decisão depois de todas essas conversas de me desincompatibilizar do cargo de governador no dia 6 de abril para disputar as eleições deste ano”, afirmou o tucano. “É muito cedo para fazer esse tipo de avaliação (sobre quem vai apoiar para o governo). Acho que isso é prematuro e no momento adequado os partidos que integram essa aliança vão sentar e ver qual é essa definição”, desconversou Richa.

“Eu vou apoiar o candidato, primeiro, que oferecer essas seguranças em relação ao Estado. Que seja bom gestor público. Não quero que o Paraná corra risco de perder tudo o que foi conquistado até esse momento”, alegou. “Temos tempo para isso. É importante uma aliança de partidos que se mantenham unidos não só para vencer a eleição. O mais importante é garantir a apresentação de uma proposta, um projeto de governo que preserve essas conquistas, mas que também possa avançar mais ainda”, defendeu o governador.

Mãos firmes
Richa garantiu estar tranquilo em renunciar ao restante do mandato, deixando a vice no cargo. “Deixo o governo do Estado no dia 6 de abril em boas mãos, em mãos seguras, mãos limpas da vice-governadora Cida Borghetti que tem toda a capacidade”, disse ele. “Nunca tivemos um problema de relacionamento, uma troca de farpas sequer, uma palavra mais áspera. Eu tenho plena convicção de que a Cida tem essa mão firme para tocar o governo do Estado”, assegurou.

O governador voltou a defender o ajuste fiscal implantado por ele a partir de dezembro de 2014, logo após sua reeleição, que incluiu aumento de impostos e corte de benefícios de servidores públicos, além do uso de recursos do fundo de previdência do funcionalismo estadual. Ele admitiu que o pior momento de seu governo foi o episódio de 29 de abril de 2015, quando o confronto entre manifestantes e policiais militares, no Centro Cívico, durante a votação das medidas de ajuste fiscal pela Assembleia Legislativa terminou com mais de 200 feridos. Mas garantiu não ter arrependimento por isso. “Tomei a decisão sabendo que ia abalar minha popularidade. A aprovação do meu governo. Eu despenquei. Da noite para o dia fui do céu para o inferno. Mas também foi o melhor momento para o Estado. As decisões se revelam hoje acertadíssimas”, alegou, reafirmando que hoje o Paraná tem “a melhor situação fiscal” do País.

Cida Borghetti promete ‘continuidade’

A vice-governadora Cida Borghetti (PP) – que assume o governo em definitivo no próximo dia 6 com a renúncia do governador Beto Richa (PSDB) para disputar a eleição para o Senado – afirmou ontem que sua administração será de continuidade, e desconversou sobre as mudanças que deve promover no secretariado. Segundo ela, os substitutos dos secretários que vão deixar os cargos até 7 de abril para se candidatarem às eleições de outubro serão definidos em comum acordo com Richa. Ela afirmou que ainda não conversou com o governador sobre o assunto.

“É um governo de continuidade e os nomes que serão substituídos serão definidos em conjunto com o governador Beto Richa. Não conversamos ainda porque o governador Beto Richa está no exercício do mandato. Temos um trabalho em conjunto”, afirmou Cida, que será a primeira mulher assumir em definitivo o comando do governo do Paraná. Ela fica no cargo até 31 de dezembro de 2018 e pretende concorrer à reeleição. Antes, apenas Emília Belinati havia assumido o governo interinamente, durante a gestão de Jaime Lerner.

Racha
A vice minimizou o risco de um racha na base do governo, já que o deputado estadual Ratinho Júnior (PSD), que foi secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano, e comanda o bloco PSD-PSC, maior da Assembleia Legislativa com 14 parlamentares, também é pré-candidato à sucessão de Richa. “Ratinho Jr foi colaborador desse governo, voltou para a Assembleia. É um grande companheiro. Diálogos são permanentes. Como disse o governador (a campanha) é só em agosto, depois das convenções”, alegou ela.

Sobre a relação com a Assembleia, Cida Borghetti disse não ter “nenhuma preocupação”. “Fui parlamentar por oito anos. Conheço a Casa. Entendo a responsabilidade dos deputados de continuarem apoiando o governo”, avaliou.