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12/06/2018 09:06 | Autor: Editor
Fonte: Banda B

Brasil na Copa em pleno dia de trabalho. Posso ser demitido se for pego assistindo?

Foto:iStock/Getty Images
Especialista em Direito Trabalhista alerta sobre as possibilidades de demissão por causa de jogos da Copa do Mundo

Copa do Mundo é Copa do Mundo. Até mesmo aqueles mais afastados do futebol se sentem encorajados a vestir a camisa e torcer para a Seleção Brasileira. Em pleno mês de junho, os jogos tirarão o foco de muitos trabalhadores compenetrados – tem jogo do Brasil em horários de expediente normal. Depois da estreia nesse domingo (17) contra a Suiça, a Seleção Brasileira tem dois jogos em dias de semana. A equipe enfrenta a Costa Rica às 9 horas da próxima sexta-feira (22) e pega a Sérvia na outra quarta-feira (27) às 15 horas. Mas, e agora? Como acompanhar os jogos da Seleção Brasileira sem encrenca no trabalho?

O professor de Direito, Marcelo Melek, especialista em Direito Trabalhista, diz que, se o trabalhador por pego assistindo a um jogo de futebol em horário de trabalho, ele pode ser punido. “Mandar embora por justa causa é uma medida extrema, é um último recurso quando não se tem outra alternativa ou outra punição. Se a empresa já alerta que veda essa prática, o empregado não pode fazer, se ele for pego, pode até sofrer demissão, advertência. Se o prejuízo ao trabalho for grande, pode até ser demitido por justa causa”,

O temor de todo assalariado, a demissão de justa causa pode acontecer, segundo o especialista, mesmo que o trabalhador não tenha advertências passadas. “Comparando ao futebol, o juiz pode aplicar a uma falta que ele considere grave diretamente o cartão vermelho. O trabalhador não precisa ter duas ou três advertências para sofrer uma demissão com justa causa. Agora o que tem que observar é a proporcionalidade e a razoabilidade da conduta do trabalhador com a penalidade”, explicou Melek.

Flexibilidade

Diferente de Copas passadas onde a televisão e o rádio reinavam, aplicativos de celular, placar em tempo reais na internet e até transmissões ao vivo são facilmente acessados pelos trabalhadores. Assistir escondido ou ‘bater a real’?

“Cada relação de emprego tem suas características, conversar sempre é importante. Perguntar se a empresa vai disponilizar uma televisão, se poderá ver o jogo na empresa ou não, se haverá regime de escala ou não?”, defende o advogado.

Na linha do bom senso há três décadas, o gerente de um empresa de software de Curitiba, Renato Fidalgo, 51 anos, disse à Banda B que a empresa é flexível em dias de jogos do Brasil, na Copa do Mundo. “A empresa dispensa os funcionários para ver em casa e disponiliza uma televisão para quem quer ver aqui, para quem quiser ficar na empresa, acredito que essa questão é tratada bem aqui”, defende.

Em Copas passadas, Fidalgo diz que chegava a tirar férias em dias de jogos para acompanhar todas as chaves. “Agora, não me tira o sono, se pudesse até tinha tirado férias para ver mais jogos, mas estou tranquilo e vou para a casa para poder ver o jogo do Brasil mais tranquilo, para não extrapolar na empresa com a torcida”, brinca o gerente.

Para finalizar, o advogado trabalhista acredita que a conversa entre funcionários e gestores é fundamental. “Cada empresa vai adotar sua política e a comunicação é sempre a chave da questão”.