Rádio Difusora

(45) 9-9997-0532
06/03/2019 14:31 | Autor: Editor

Registro de agrotóxicos no Brasil cresce e atinge maior marca em 2018

Em meio à pressão por mudança nas regras do setor, o total de agrotóxicos liberados para venda no mercado ou para uso industrial têm crescido nos últimos anos.


Isso preocupa os que defendem o meio ambiente

Só em 2018 foram aprovados 450 registros desse tipo de produto, o maior número em ao menos 13 anos, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Para comparação, em 2005, foram 91 registros, e em 2015, 139.
O avanço, que ganhou impulso nos últimos dois anos, no governo Michel Temer, tem chamado a atenção de especialistas, que veem a possibilidade de novo aumento na gestão Jair Bolsonaro.
Isso porque representantes do novo governo têm se posicionado de forma mais favorável às demandas do agronegócio e intensificado críticas a algumas políticas ambientais.
Nos dois primeiros meses deste ano, o governo aprovou o registro de 74 produtos ligados a agrotóxicos, pouco mais de um ao dia.
Destes, 58 já tiveram o aval formalizado no Diário Oficial da União.
Hoje, a análise para liberação de agrotóxicos é dividida entre três órgãos: Agricultura, que avalia a eficácia dos produtos; Anvisa, que avalia a toxicidade; e Ibama, que analisa riscos ao ambiente.
Questionado, o Ministério da Agricultura diz que o aumento nos registros se deve a uma maior agilidade da Anvisa nas análises toxicológicas e que as recentes liberações não envolvem novos ingredientes ativos, mas produtos conhecidos do consumidor.
O Ministério informa ainda que o aumento nos registros não indica um maior uso, mas novas opções para diferentes culturas.
Em nota, a Anvisa afirma que uma reorganização de processos de trabalho permitiu maior rapidez nas análises, mas que o volume de pedidos acumulados ainda inviabiliza que o prazo previsto em lei para registro, de até 120 dias, seja cumprido.
Já o Ibama atribui o recorde a pressões judiciais e a maior demanda das empresas por registro nos últimos anos. Só neste ano, em um mês, ao menos 31 novos pedidos foram incluídos na fila.
Comemorado por ruralistas, o aumento na liberação de produtos para venda no mercado preocupa movimentos que defendem maior rigor aos agrotóxicos.