Preço do trigo se recupera mas concorrência com milho ainda é forte no Paraná

Boletim do Deral  mostra que o preço da saca superou o custo de produção a partir do Carnaval

 

Os preços do trigo para o produtor paranaense reagiram após o Carnaval e alcançaram patamares acima de  100 reais  a saca de 60 quilos, o que significa  um estímulo para o plantio no Estado.

Mesmo assim a cultura ainda enfrenta forte concorrência com o milho de segunda safra, que apresenta melhor retorno financeiro.

Esse é um dos temas do Boletim Semanal de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 04 a 10 de março,  documento, preparado pelos técnicos do  Deral, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, que traz ainda informações sobre o desenvolvimento das principais lavouras paranaenses neste período do ano.

O relatório do Deral referente a fevereiro aponta custo variável de produção de R$ 93,00 para uma saca de 60 quilos de trigo.

Esse valor é 64% superior ao praticado em fevereiro de 2021, quando estava em R$ 57,11.

Um dos principais fatores da elevação é o preço dos fertilizantes, que corresponde a mais de 40% do custo e praticamente dobrou neste último ano, onerando em R$ 20,00 o custo para produzir cada saca.

Nesse contexto, o custo variável de produção superava o preço da saca de trigo que, até o Carnaval, girava em torno de R$ 90,00 no Paraná.

Esse valor era praticado desde dezembro de 2021 mas nas duas últimas semanas, houve uma reação do preço interno à alta de mais de 70% nas cotações internacionais e a saca se fixou acima dos R$ 100,00.

Se esse valor persistir, os agricultores terão um estímulo a mais para o plantio dessa cultura, no entanto, podem enfrentar a concorrência com o milho de segunda safra, que tem previsão de ocupar 2 milhões e 600 mil e hectares e está com 69% da área plantada.

O milho vem se mostrando mais rentável e deve predominar nas regiões mais quentes do Estado, mas o quadrante Sudeste pode ter um avanço em área de trigo.

Já em relação ao  milho o preço continua em escalada internacional  e tem como uma das principais razões o conflito entre Ucrânia e Rússia.

Internamente, a variação também se refletiu servindo de estímulo aos produtores e em uma semana a saca de 60 quilos paga ao produtor subiu de  90  para R$ 95,00.

O boletim registra também que o preço da carne bovina pode sofrer as consequências da guerra, a depender da duração e dos desdobramentos, já que o custo de produção do rebanho já se elevou.

A Rússia é um dos principais importadores de carne bovina brasileira e pode sofrer interrupção ou redução no fluxo, o que reflete nas cotações ou no mercado doméstico brasileiro.

Sobre a soja, há o registro da colheita de 54% da área dos 5 milhões 430 mil  de hectares plantados.

Há um bom avanço em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o percentual estava em 36%.

A previsão é que neste ciclo sejam colhidas 11 milhões e 630 mil  toneladas