
Confissão de cascavelense presa com cocaína escondida em xampu na Indonésia pode ter 'grande valia' na definição da pena, diz advogado
Thania Cristina dos Santos, de 36 anos, é natural de Cascavel e foi presa com 3,6 kg de cocaína líquida. Brasileira pode ser condenada à prisão perpétua ou até à pena de morte.
Foto: Alfândega do Aeroporto Internacional Ngurah Rai
Segundo o advogado Gustavo Paiva, nomeado pelo Ministério da Justiça para acompanhar o caso no Brasil, a colaboração com as autoridades pode beneficiar a paranaense. No entanto, a quantidade de droga apreendida e a tentativa de escondê-la em produtos de higiene pessoal também podem influenciar a decisão judicial.
"A Thania desde o primeiro momento já está colaborando com as autoridades da Indonésia, confessou o crime, disse que unicamente foi contratada por 50 mil dólares para transporte", afirmou o advogado.
Paiva explicou que a legislação indonésia prevê punições rigorosas para o tráfico de drogas, mas não é possível afirmar qual pena poderá ser aplicada à brasileira. No entanto, o país não realiza execuções desde 2016.
"Existe a condição do benefício pela confissão espontânea, mas também, em contrapartida, a gente tem que levar em consideração que as autoridades vão considerar a quantidade e a condição da droga", explicou.
Thania foi presa em flagrante em 6 de outubro, pouco depois de desembarcar no Aeroporto Internacional Ngurah Rai, em Bali. Agentes da alfândega encontraram aproximadamente 3,6 kg de cocaína líquida distribuídos em sete frascos de xampu e outros produtos de higiene pessoal.
Segundo as autoridades locais, a apreensão está entre as maiores de cocaína líquida realizadas em Bali.
Imagens de câmeras de segurança do aeroporto mostram a brasileira chegando ao local e sendo submetida a uma revista. Durante a fiscalização da bagagem, agentes encontraram cocaína líquida escondida em sete frascos de cosméticos.
As autoridades indonésias investigam as circunstâncias do transporte e a possível participação de outras pessoas. O Itamaraty informou ao g1 que presta assistência consular à brasileira.
Brasileira continua presa e aguarda conclusão da investigação
De acordo com Gustavo Paiva, Thania permanece detida em uma unidade policial de Bali. O caso ainda está na fase de investigação e não houve apresentação de denúncia formal à Justiça.
Após a conclusão das investigações, o caso deverá ser encaminhado à Procuradoria, que decidirá se apresenta uma acusação formal por tráfico internacional de drogas.
O advogado estima que o processo, desde a prisão até uma eventual condenação definitiva, possa durar entre um ano e um ano e meio. O prazo, no entanto, é apenas uma estimativa e pode variar conforme o andamento das investigações.
Paiva informou ainda que as autoridades brasileiras acompanham a situação por meio do Itamaraty e do serviço consular.
Segundo ele, representantes da embaixada conseguiram conversar com a brasileira, que afirmou estar calma, apesar da situação. Uma nova tentativa de contato não foi autorizada pelas autoridades indonésias.
Penas previstas na Indonésia
A Indonésia possui uma das legislações antidrogas mais rígidas do mundo. A depender das circunstâncias e da condenação, pessoas acusadas de tráfico internacional podem receber penas de prisão, prisão perpétua ou morte.
O advogado explicou que uma eventual transferência de Thania para cumprir pena no Brasil dependeria de requisitos legais e de acordos internacionais aplicáveis. Por enquanto, não há decisão judicial nem previsão de transferência.
Continue lendo
Policial / Trânsito
Policial / Trânsito 
