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Prints e vídeo mudam rumo do caso do agrônomo morto pela esposa em Marechal Rondon

  • Maiko Bucker
  • 07/03/2026 09:24
  • Fonte: Preto No Branco / Tissiane Merlak
Prints e vídeo mudam rumo do caso do agrônomo morto pela esposa em Marechal Rondon
Jojuam
O caso do homicídio do engenheiro agrônomo Leandro Meinerz, registrado em Marechal Cândido Rondon em 30 de agosto de 2025, ganhou novos desdobramentos após uma reviravolta no andamento da investigação. O promotor de Justiça Tiago Inforçatti Rodrigues, que inicialmente havia solicitado o arquivamento do caso, voltou atrás após o surgimento de novas provas e determinar a continuidade das diligências.

Entre os elementos que passaram a integrar o inquérito estão um vídeo e uma série de conversas de WhatsApp recuperadas da conta da vítima no Google. O material trouxe novos detalhes sobre o relacionamento entre o engenheiro agrônomo, de 43 anos, e a esposa Morgani Terezinha Neukirchen Meinerz, de 46 anos, autora confessa da facada.

Leandro foi atingido por um golpe de faca no abdômen na madrugada de 30 de agosto, dentro do apartamento onde estava morando, no centro da cidade. Ele foi socorrido em estado grave e levado ao hospital, onde faleceu horas mais tarde. Morgani foi presa em flagrante, mas ganhou liberdade por decisão judicial no mesmo dia.

Com a inclusão das novas provas no processo, o histórico de conflitos entre o casal passou a ganhar maior destaque na investigação.

Ameaças e tensão antes do crime
Entre os materiais anexados ao processo estão mensagens trocadas entre Morgani e Leandro nos meses que antecederam o episódio, principalmente em maio, junho e julho de 2025.

Nos prints recuperados, Morgani demonstra não aceitar o fim do relacionamento e envia diversas mensagens com ameaças diretas. Em uma delas, afirma que faria tudo o que pudesse para destruir a vida do marido. Em outra, diz que acabaria com a vida dele e com a própria.

Também há registros de momentos em que ela afirma estar emocionalmente descontrolada. Em uma das conversas, Morgani envia uma foto segurando uma faca e diz que não estaria mais ali no dia seguinte. Em outra mensagem, relata ter ingerido medicamento e estar dirigindo durante a madrugada, ligando insistentemente para Leandro: “Tomei 20 gotas Rivotril. E vou sair com ok carro”.

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Nas conversas, Leandro aparece tentando acalmá-la e pedindo que ela voltasse para casa e pensasse nas filhas.

As mensagens também mostram discussões frequentes envolvendo dinheiro, suspeitas de traição e o fim do relacionamento.

Nos diálogos recuperados, Leandro afirma que não amava mais a esposa e que o relacionamento havia terminado. Ele relata ainda que já estava morando em outro lugar e que pretendia seguir a própria vida, mantendo apenas respeito e responsabilidade com a família.

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Vídeo gravado minutos antes mostra discussão
 
Outra prova recuperada na nuvem da conta Google de Leandro está um vídeo gravado pelo próprio Leandro dentro do apartamento poucos minutos antes da facada. Nas imagens, Morgani aparece segurando uma faca em uma das mãos e uma garrafa de vinho na outra, enquanto os dois discutem. O clima é tenso e o diálogo registrado reforça que a situação já estava escalando para um confronto.

Durante a gravação, Morgani chega a dizer “Grava. Grava, pode gravar”, ao perceber que o celular estava apontado em sua direção. Em determinado momento, Leandro reage e pede que ela pare com o objeto que carregava: “Então para… para com essa faca aí na tua mão.” Morgani responde alegando que estava sendo agredida: “Você até agora estava me agredindo.” Leandro rebate imediatamente: “Ninguém está te agredindo.”

Sobre o crime
 
Na noite do crime, Morgani havia saído com as duas filhas e amigas para jantar em um restaurante da cidade. Durante o encontro, Leandro também apareceu no local e houve um momento de tensão entre o casal.

Mais tarde, Morgani decidiu ir até o apartamento onde ele estava morando para conversar. Em depoimento à polícia, ela justificou que fez isso porque ainda o amava, queria entender o motivo da alteração dele e buscava resolver a situação do casal, especialmente a definição sobre o divórcio, que ela alegou que ele vinha protelando.

Imagens de câmeras de segurança do prédio mostram que ela chegou ao local de carro às 22h34, mas permaneceu dentro do veículo por cerca de meia hora. Somente às 23h04 ela desce e entra no prédio em direção ao apartamento, o que indica que Leandro inicialmente hesitou em permitir a entrada da esposa para a conversa que terminaria na facada mais tarde.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência relataram que encontraram Leandro caído no chão do apartamento, perdendo muito sangue e repetindo que não queria morrer.

Segundo os agentes, a faca utilizada estava no chão da sala e havia marcas de sangue indicando que a vítima tentou sair do imóvel após ser atingida.

Morgani, de acordo com os policiais, estava chorando e admitiu no local que havia desferido o golpe.

Durante o atendimento, ela afirmou que havia sido agarrada pelo pescoço antes do ataque. No entanto, os policiais disseram que não observaram marcas ou sinais de agressão em seu corpo naquele momento.

Vizinhos não ouviram discussão
 
Testemunhas que moram no prédio também prestaram depoimento à polícia e disseram não ter ouvido qualquer briga antes do pedido de socorro. O proprietário do imóvel relatou, também em depoimento à polícia, que acordou apenas após ouvir gritos rápidos e que encontrou Leandro caído no chão do apartamento quando abriu a porta.

Um vizinho de porta confirmou que também não percebeu discussão anterior e que a primeira coisa que ouviu foi um pedido de ajuda. Ele afirmou que Morgani estava tentando ligar para a emergência quando pediu auxílio.

Em depoimento à polícia, o proprietário do imóvel, relatou que já havia presenciado um episódio envolvendo Morgani semanas antes do crime. Segundo ele, no final de julho, a mulher entrou na garagem do prédio dirigindo de forma brusca e acabou bloqueando a saída do veículo dele. Ao ir até o apartamento para pedir que o carro fosse retirado, o homem disse ter presenciado uma discussão entre Morgani, Leandro e a então namorada dele, identificada como Adriana.

O depoente afirmou que, naquele momento, Leandro foi quem mais proferiu xingamentos contra Morgani. O relato foi incluído no processo para contextualizar o histórico de conflitos entre o casal antes do episódio da facada.

Amigas apontam relação conturbada
 
Por outro lado, duas amigas de Morgani relataram à polícia que o relacionamento entre o casal era marcado por conflitos.

Segundo elas, Morgani frequentemente aparecia com manchas roxas nos braços e no pescoço durante jogos de vôlei, embora costumasse justificar os ferimentos como acidentes domésticos.

As testemunhas também afirmaram que ela sempre foi uma pessoa reservada e que demonstrava tristeza nos meses anteriores ao ocorrido.

Após o episódio, segundo as amigas, Morgani teria dito que perdeu o controle durante uma discussão e que não queria ter causado o ferimento.

Nova herdeira surge após o caso
 
Depois da morte de Leandro Meinerz, uma nova informação veio à tona e pode ter impacto na futura partilha de bens. Uma filha do engenheiro agrônomo, de aproximadamente 10 anos, residente em Santa Catarina, teria se apresentado à família após o ocorrido. Segundo relatos de pessoas próximas, a existência dela não era conhecida por parte dos familiares até então.

Com isso, a jovem também poderá pleitear eventual participação na herança de Leandro. A questão, no entanto, deverá ser tratada em procedimento próprio na esfera cível, separado do processo criminal que apura a facada registrada em agosto de 2025.

Outra questão que pode acabar sendo discutida na esfera cível envolve um imóvel que estaria registrado em nome de Leandro Meinerz. Segundo informações apuradas pela reportagem, o bem originalmente pertenceria à mãe da vítima, mas teria sido colocado no nome do filho por decisão pessoal dela em momento anterior.

Com a morte de Leandro, a situação pode gerar um novo impasse patrimonial. Isso porque, estando formalmente registrado em nome dele, o imóvel passa a integrar o espólio e pode entrar na partilha entre os herdeiros. Caso a família entenda que o bem, na prática, pertence à mãe da vítima, a questão deverá ser discutida judicialmente em processo cível próprio.

Processo segue em andamento
 
Com mais de 300 páginas de documentos, o processo reúne depoimentos, registros da ocorrência e provas digitais que ajudam a reconstruir os acontecimentos da noite do crime. Novos elementos, como vídeos e conversas recuperadas entre o casal, passaram a integrar a investigação e ampliaram a análise sobre o episódio. O caso ainda terá novas etapas na Justiça, com a oitiva de mais testemunhas e avaliação do conjunto de provas.

Atualmente, Morgani Terezinha Neukirchen Meinerz é representada no processo pelas advogadas Jocelaine Valcarenghi, Lucilene Maria Bonissoni e pelo advogado João Borges de Ramos Filho. No início do caso, a defesa dela foi conduzida pelo advogado Oscar Estanislau Nasihgil, responsável pelos primeiros atos após a prisão em flagrante. Já os familiares de Leandro Meinerz atuam no processo por meio do advogado Luciano Caetano, que acompanha o andamento da investigação e as manifestações da família no procedimento judicial.

Com informações Preto no Branco /  Tissiane Merlak
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