Microexplosão ou tornado: o que provocou temporal com estragos e morte na região de Ribeirão Preto
Climatempo descartou possibilidade de tornado sobre fenômeno na madrugada desta sexta-feira (24). Pelo menos nove cidades foram afetadas por ventos que chegaram a 122 km/h.
O temporal que atingiu a região de Ribeirão Preto (SP) na madrugada desta sexta-feira (24) foi causado pela entrada de uma frente fria no interior de São Paulo, já prevista pelos meteorologistas desde o começo da semana.
À EPTV, afiliada da TV Globo, a meteorologista Josélia Pegorim descartou qualquer possibilidade de se tratar de algo relacionado ao El Niño.
"Essa chuva foi provocada por uma frente fria, o impacto de uma frente fria com o ar muito quente que estava aqui em São Paulo. Não está relacionada com o El Niño. O El Niño é um fenômeno que, sim, já está em desenvolvimento, mas os efeitos, de fato, no estado de São Paulo, nós vamos começar a sentir mais durante a primavera."
Ainda segundo a Climatempo, não há evidencias de tornado. A justificativa é que os danos ocorreram em uma área extensa, atingindo mais de um município, o que é incompatível com as características do fenômeno.
Embora houvesse a previsão detectada de chuva, a rápida evolução da tempestade dificultou a análise de sua intensidade.
“A identificação da severidade ocorreu principalmente por meio de monitoramento em tempo real com radares meteorológico”, informou a nota.
O temporal causou estragos em diversos pontos da cidade. Guariba, Taquaritinga, Dumont e Pradópolis também registraram grandes prejuízos.
Em Ribeirão Preto, um homem de 75 anos morreu após a casa dele ser atingida por um imóvel vizinho, que cedeu.
Ar quente colaborou formação de tempestade
Ainda segundo Josélia, a frente fria começou a causar mudanças no tempo na quinta-feira (23). Ao avançar por São Paulo na madrugada desta sexta, encontrou um ar muito quente, espeficicamente, sobre o Norte do estado, o que provocou a tempestade na região de Ribeirão Preto.
"Nós tínhamos uma atmosfera já muito aquecida, que teve o choque térmico com essa frente fria. Então, nós tivemos condições atmosféricas favoráveis para desenvolvimento de áreas de chuva muito intensas, de nuvens muito carregadas".
A meteorologista disse que os radares meteorológicos mostraram os núcleos de tempestade que passaram, primeiro, pela região de Pradópolis, onde os ventos chegaram a 122 km/h. Na sequência, chegaram em Ribeirão Preto com muita força. De acordo com a Defesa Civil, os ventos atingiram 70 km/h na cidade.
"O aeroporto de Ribeirão registrou rajadas de até 65 km/h, mas pelo nível de estrago, certamente em outras áreas da cidade, as rajadas de vento foram mais intensas".
Prefeito decretou estado de emergência
O prefeito Ricardo Silva (PSD) assinou um decreto de emergência válido por 180 dias e instalou um gabinete de crise para atender as ocorrências em Ribeirão Preto.
Equipes da Defesa Civil estadual estão se deslocando para Ribeirão Preto e a cidade também vai receber ajuda humanitária.
Veja abaixo as principais medidas do decreto:
-Autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) nas ações de resposta ao desastre, reabilitação do cenário afetado e reconstrução;
-Convocação de voluntários para integrar as ações de resposta ao desastre, bem como a promoção de campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade, visando facilitar a prestação de assistência à população afetada, sob a coordenação do Compdec;
-Autorizadas as autoridades administrativas e os agentes de Defesa Civil, diretamente responsáveis pelas ações de resposta aos desastres, a adotarem, em caso de risco iminente: entrar em residências para prestar socorro ou determinar pronta evacuação e utilizar propriedade particular, no caso de iminente perigo público, assegurando ao proprietário a indenização posterior, caso haja dano.
-Será responsabilizado o agente da Defesa Civil ou autoridade administrativa que se omitir no cumprimento das obrigações relacionadas à segurança da população.
-Em caso de reconhecida utilidade pública, fica autorizada a instauração dos procedimentos de desapropriação, nos termos da legislação federal aplicável com a devida observância das disposições legais vigentes.
-Dispensadas de licitação as aquisições de bens indispensáveis ao atendimento da situação de emergência ou do estado de calamidade pública, bem como as contratações relativas a parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de um ano, contado da data da ocorrência do evento, sendo vedadas a recontratação das mesmas empresas e a prorrogação dos contratos firmados com base nesta exceção.
À EPTV, afiliada da TV Globo, a meteorologista Josélia Pegorim descartou qualquer possibilidade de se tratar de algo relacionado ao El Niño.
"Essa chuva foi provocada por uma frente fria, o impacto de uma frente fria com o ar muito quente que estava aqui em São Paulo. Não está relacionada com o El Niño. O El Niño é um fenômeno que, sim, já está em desenvolvimento, mas os efeitos, de fato, no estado de São Paulo, nós vamos começar a sentir mais durante a primavera."
Em nota, o serviço de meteorologia Climatempo informou que a hipótese mais provável é a ocorrência de uma sequência de microexplosões, capazes de produzir ventos superiores a 100 km/h.
Segundo a meteorologista, microexplosões são fenômenos provocados pelas nuvens cumulonimbus.
"São essas nuvens que causam a chuva forte, ventania, os raios. Só que a microexplosão, ou em uma microexplosão, a chuva cai muito intensa, concentrada em uma mesma área e junto com o vento forte. É como se você despejasse uma grande quantidade de água em pouco tempo, mas só em um local muito definido. Ela atua em uma área muito pequena e com ventania também".
Segundo a meteorologista, microexplosões são fenômenos provocados pelas nuvens cumulonimbus.
"São essas nuvens que causam a chuva forte, ventania, os raios. Só que a microexplosão, ou em uma microexplosão, a chuva cai muito intensa, concentrada em uma mesma área e junto com o vento forte. É como se você despejasse uma grande quantidade de água em pouco tempo, mas só em um local muito definido. Ela atua em uma área muito pequena e com ventania também".
Ainda segundo a Climatempo, não há evidencias de tornado. A justificativa é que os danos ocorreram em uma área extensa, atingindo mais de um município, o que é incompatível com as características do fenômeno.
Embora houvesse a previsão detectada de chuva, a rápida evolução da tempestade dificultou a análise de sua intensidade.
“A identificação da severidade ocorreu principalmente por meio de monitoramento em tempo real com radares meteorológico”, informou a nota.
Em Ribeirão Preto, um homem de 75 anos morreu após a casa dele ser atingida por um imóvel vizinho, que cedeu.
Ar quente colaborou formação de tempestade
Ainda segundo Josélia, a frente fria começou a causar mudanças no tempo na quinta-feira (23). Ao avançar por São Paulo na madrugada desta sexta, encontrou um ar muito quente, espeficicamente, sobre o Norte do estado, o que provocou a tempestade na região de Ribeirão Preto.
"Nós tínhamos uma atmosfera já muito aquecida, que teve o choque térmico com essa frente fria. Então, nós tivemos condições atmosféricas favoráveis para desenvolvimento de áreas de chuva muito intensas, de nuvens muito carregadas".
A meteorologista disse que os radares meteorológicos mostraram os núcleos de tempestade que passaram, primeiro, pela região de Pradópolis, onde os ventos chegaram a 122 km/h. Na sequência, chegaram em Ribeirão Preto com muita força. De acordo com a Defesa Civil, os ventos atingiram 70 km/h na cidade.
"O aeroporto de Ribeirão registrou rajadas de até 65 km/h, mas pelo nível de estrago, certamente em outras áreas da cidade, as rajadas de vento foram mais intensas".
Prefeito decretou estado de emergência
O prefeito Ricardo Silva (PSD) assinou um decreto de emergência válido por 180 dias e instalou um gabinete de crise para atender as ocorrências em Ribeirão Preto.
Equipes da Defesa Civil estadual estão se deslocando para Ribeirão Preto e a cidade também vai receber ajuda humanitária.
Veja abaixo as principais medidas do decreto:
-Autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) nas ações de resposta ao desastre, reabilitação do cenário afetado e reconstrução;
-Convocação de voluntários para integrar as ações de resposta ao desastre, bem como a promoção de campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade, visando facilitar a prestação de assistência à população afetada, sob a coordenação do Compdec;
-Autorizadas as autoridades administrativas e os agentes de Defesa Civil, diretamente responsáveis pelas ações de resposta aos desastres, a adotarem, em caso de risco iminente: entrar em residências para prestar socorro ou determinar pronta evacuação e utilizar propriedade particular, no caso de iminente perigo público, assegurando ao proprietário a indenização posterior, caso haja dano.
-Será responsabilizado o agente da Defesa Civil ou autoridade administrativa que se omitir no cumprimento das obrigações relacionadas à segurança da população.
-Em caso de reconhecida utilidade pública, fica autorizada a instauração dos procedimentos de desapropriação, nos termos da legislação federal aplicável com a devida observância das disposições legais vigentes.
-Dispensadas de licitação as aquisições de bens indispensáveis ao atendimento da situação de emergência ou do estado de calamidade pública, bem como as contratações relativas a parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de um ano, contado da data da ocorrência do evento, sendo vedadas a recontratação das mesmas empresas e a prorrogação dos contratos firmados com base nesta exceção.

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