
Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária
Presidente paraguaio era alvo de processo de impeachment por crise bancária após banco virtual fechar e deixar milhares de clientes sem seu dinheiro. Conservador, Peña havia assumido em 2023 e governaria até 2028.
Foto: Clientes do banco Ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
Peña era alvo de um processo de impeachment que havia angariado o apoio tanto da oposição quanto da base governista. Ele era acusado de ter sido conivente com a quebra do banco digital Ueno, que bloqueou a conta de milhares de correntistas e do qual o presidente foi acionista (leia mais abaixo).
Em um vídeo, ele se desculpou com a população afetada pela crise bancária e disse que decidiu renunciar "pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas".
"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", disse.
➡️ Conservador, Santiago Peña, era alvo de críticas por conta da crise bancária que começou após o banco digital Ueno fechar as portas e deixar milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Peña foi acionista do grupo que controla a instituição, e a oposição acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades (leia mais abaixo).

Santiago Penã anuncia renúncia — Foto: Reprodução/X
Nesta manhã, o Congresso do Paraguai havia inciado uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment, e todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votarão a favor do impeachment. Mais cedo, aliados de Peña retiraram o apoio ao presidente nesta quinta e começaram a pedir sua renúncia, além de defender o processo de impeachment.
A sessão seria o primeiro passo do processo do impeachment, uma iniciativa que ganhou força após o Horário Cortes, atual presidente do Partido Colorado, sigla de Peña, retirar o apoio ao governo. Cortes é considerado o mentor de Peña.
O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, do Partido Colorado, também havia retirado apoio.
Economista conservador, Santiago Peña assumiu o governo do Paraguai em 2023 e seu mandato duraria até 2028. Seu vice, Pedro Alliana, assume o poder, mas ele também é alvo do processo de impeachment.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, entre outros pontos. A acusação também aponta que o banco central teria encoberto irregularidades.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes da apresentação do pedido.
A acusação foi apresentada por 35 deputados, que pediram ao presidente da Câmara a convocação da sessão extraordinária.
👉 Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março do ano passado. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
O Ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o banco central iniciou sua liquidação. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
Em uma publicação em suas redes sociais, o presidente paraguaio afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções. A declaração foi feita pouco antes de que ele promulgasse uma lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar seu dinheiro mais rapidamente.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça ordenou ainda o bloqueio dos bens dos acusados.
Nesta quarta-feira, também circularam relatos de falhas em aplicativos de outros bancos, o que aumentou a preocupação com o sistema financeiro do país.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras trabalhavam para atender ao grande volume de clientes que estavam transferindo suas contas do Ueno. A entidade ressaltou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.

Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
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