Caso do cão Orelha é arquivado após agressão ser descartada
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu o arquivamento da investigação sobre a morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC), após concluir que o animal não morreu por agressão cometida por adolescentes.
Segundo o órgão, a análise de quase dois mil arquivos, entre vídeos, fotos, laudos técnicos e dados de celulares, apontou que os jovens investigados e o cachorro não estiveram juntos na Praia Brava no momento da suposta violência.
O Ministério Público ainda afirmou que o cão tinha uma grave infecção óssea anterior ao caso, o que teria levado à necessidade de eutanásia.
O pedido foi enviado à Vara da Infância e Juventude da Capital na sexta-feira (08). O documento tem 170 páginas e foi assinado por três promotorias de Justiça. Além do arquivamento, o MPSC também pediu apurações sobre a condução da investigação e o possível vazamento de informações do caso.
Diferença de 30 minutos mudou sequência dos fatos
Segundo o Ministério Público, um dos pontos mais importantes da nova análise foi a descoberta de uma diferença de cerca de 30 minutos entre os horários registrados por câmeras.
A investigação inicial usou imagens do sistema público Bem-Te-Vi e de câmeras privadas de um condomínio. Porém, a nova perícia concluiu que os relógios das câmeras particulares estavam adiantados em aproximadamente meia hora.
Segundo as promotorias, a diferença foi percebida pela iluminação do sol mostrada nas imagens e confirmada pela análise da Polícia Científica.
Com a correção do horário, o Ministério Público chegou a conclusão que, no momento em que um dos adolescentes estava perto do deck da praia, o cão Orelha estava a cerca de 600 metros de distância. Por isso, foi descartada a hipótese de que tenham ficado juntos por cerca de 40 minutos, como indicavam os primeiros relatórios da polícia.
As imagens também mostraram que o cachorro ainda conseguia caminhar normalmente quase uma hora depois do horário em que a suposta agressão teria acontecido.
Laudo apontou infecção óssea grave
As promotorias afirmaram ainda que os exames veterinários e a exumação do corpo do animal não encontraram sinais de maus-tratos ou ferimentos recentes.
Segundo o perito responsável, não foram identificadas fraturas, cortes ou lesões compatíveis com agressão humana. O laudo apontou, porém, sinais de osteomielite no maxilar esquerdo, uma infecção grave nos ossos.
O documento informa que a doença possivelmente estava ligada a problemas dentários avançados. Imagens anexadas ao processo mostrariam uma lesão antiga abaixo do olho esquerdo do animal, com perda de pelos, descamação da pele e inflamação.
O Ministério Público afirmou ainda que o cão apresentava apenas um forte inchaço na região da cabeça e do olho esquerdo, sem outros sinais aparentes de violência. Por isso, segundo o órgão, não houve aviso imediato às autoridades por suspeita de maus-tratos durante o atendimento veterinário.
As promotorias ainda citaram a morte da cadela Pretinha, que vivia com Orelha, dias depois, por doença do carrapato. Para o órgão, isso reforça a situação de fragilidade de saúde dos animais.


