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Condenado por planejar ataque à ex com soda cáustica no Paraná não aceitava fim do relacionamento, decide júri

Condenado por planejar ataque à ex com soda cáustica no Paraná não aceitava fim do relacionamento, decide júri
Crédito da imagem: Marlon Ferreira Lemes foi condenado a 23 anos e três meses de prisão por planejar ataque contra Isabelly. — Foto: Reprodução/RPC/Arquivo Pessoal
Marlon Ferreira Lemes foi condenado a 23 anos de prisão por tentativa de feminicídio com três agravantes. Defesa da mulher que executou o ataque abandou o tribunal e ela deve ser julgada em outra data. Crime aconteceu em Jacarezinho.
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Marlon Ferreira Lemes planejou o ataque com soda cáustica à ex-namorada por não aceitar o fim do relacionamento entre os dois. A explicação foi lida durante a decisão do Conselho de Sentença, em que ele foi condenado a 23 anos e três meses de prisão por tentativa de feminicídio. O júri aconteceu em Jacarezinho, no Norte do Paraná, onde o crime também foi registrado.

"As demais qualificadoras incidirão nesta fase como circunstâncias judiciais negativas, a iniciar pelo motivo: ciúmes, por não aceitar o fim do relacionamento", leu o juiz Renato Garcia.

Isabelly Aparecida Ferreira Moro foi atacada na tarde de 22 de maio de 2024, enquanto ia à academia. Débora Aparecida Custódio Ferreira se aproximou dela, jogou soda cáustica e fugiu. No momento do crime, a suspeita usava peruca e roupas largas.

A investigação concluiu que Marlon, mesmo preso por roubo, planejou o crime. Ele e Isabelly tiveram um relacionamento e estavam separados à época.

Na decisão, o júri entendeu que Marlon cometeu a tentativa de feminicídio com os agravantes de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele deverá cumprir a pena em regime fechado.

Além disso, na decisão, foi determinado que Marlon pague uma indenização por danos morais a Isabelly, no valor de R$ 50 mil.

Débora também estava sendo julgada, mas a defesa dela decidiu abandonar o Tribunal do Júri no início da tarde de terça-feira. Os advogados alegam que o julgamento "não estava sendo justo" a ela. Com isso, ela será julgada em uma nota data, que ainda não está definida.

Marlon está preso na Penitenciária Estadual de Londrina. Ao g1, a defesa dele disse que deve apresentar recurso. Leia na íntegra:

"A defesa técnica recebe a decisão do Conselho de Sentença com respeito à soberania dos veredictos, princípio constitucional que rege o Tribunal do Júri. Contudo, após análise minuciosa dos autos e da fundamentação da sentença, serão adotadas as medidas recursais cabíveis, uma vez que a defesa entende existirem questões jurídicas relevantes a serem submetidas à apreciação das instâncias superiores".

Quando o crime aconteceu?

Isabelly foi atacada na tarde de 22 de maio de 2024, enquanto ia para a academia. Uma mulher se aproximou dela, jogou o líquido — que posteriormente a polícia descobriu ser soda cáustica — e fugiu. No momento do crime, a suspeita usava peruca e roupas largas.

A jovem foi abordada na Alameda Padre Magno, na região central de Jacarezinho. Em um vídeo gravado por uma câmera de monitoramento, a vítima aparece correndo em busca de ajuda após ser atingida.

Um barbeiro viu Isabelly pedindo ajuda, colocou-a no carro e a levou para o hospital.

Após o ataque, uma testemunha encontrou uma sacola preta e um copo, que estavam molhados. O material foi recolhido para análise.

Quais foram as lesões causadas em Isabelly?

Isabelly foi atingida no rosto e na região peitoral. A vítima teve queimaduras de segundo grau na boca, cavidade orofaríngea, hipofaringe e tronco. Além disso, ela também teve lesões no lábio superior e inferior e na cavidade oral.

No hospital, a jovem ainda teve um quadro infeccioso e foi submetida a intubação para ventilação mecânica e sedação. Ela passou cerca de 30 dias internada no Hospital Universitário de Londrina (HU), até receber alta.

Os acusados de atacar Isabelly são o ex-namorado dela, Marlon Ferreira Lemes, e Débora Aparecida Custódio Ferreira, que na época era companheira dele.

Débora foi presa pela Polícia Militar dois dias após o ataque. Ela pediu ajuda ao dono de um hotel onde estava se escondendo, e ele fez a denúncia. Enquanto isso, Marlon já estava preso por um roubo de celular.

Segundo o Ministério Público, a análise dos dados do celular de Débora revelou que Marlon planejou o crime. Conforme a denúncia, mesmo preso, ele convenceu Débora a aderir ao plano e atacar Isabelly.

Desde então, Marlon está preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Londrina e Débora está na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.

Os dois foram denunciados pelo Ministério Público (MP-PR) no dia 7 de junho de 2024. No dia 16 de maio de 2025, a Justiça decidiu que eles seriam submetidos ao júri popular.

O que eles disseram em depoimento?

No documento ao qual o g1 teve acesso, Marlon e Débora confessaram o crime em um depoimento prestado durante o processo.

Marlon admitiu que planejou o crime com Débora. Ele disse que o objetivo era dar "susto" em Isabelly, pois supostamente ela estaria passando em frente à cadeia no horário de visitas e debochando de Débora.

De acordo com o documento, Débora praticou o ataque e lançou a soda cáustica em Isabelly.

Ela contou no depoimento que Marlon comprou o material antes de ser preso e fez pesquisas sobre o produto. A acusada também disse que ele a orientou a se disfarçar no momento do ataque.

"Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia", contou Débora, no depoimento. 

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