Homem preso por instalar câmeras para filmar mulheres é encontrado morto na Cadeia de Toledo

Foto: Divulgação - Delegacia da Mulher de Toledo

A Polícia Civil (PC) confirmou, na manhã desta quarta-feira (14), o encontro do corpo de um homem de 39 anos em uma das alas da Cadeia Pública de Toledo. O detento estava custodiado havia cerca de três dias. Embora haja a informação de que o cadáver seja do indivíduo preso recentemente por instalar câmeras escondidas em sua residência para gravar mulheres sem consentimento, a Polícia Civil do Paraná informou que não pode confirmar oficialmente a identidade da vítima, tampouco o crime que levou a sua detenção.

Em nota, a 20ª Subdivisão Policial de Toledo (20ª SDP) esclareceu que foi instaurado um inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte, classificada inicialmente como “morte a apurar sem indícios de crime”, diante da ausência, até agora, de elementos que indiquem a ocorrência de ato criminoso. A Polícia Científica foi acionada e são aguardados os laudos periciais de local, necropsia e demais exames complementares, que deverão esclarecer a causa do óbito.

O homem encontrado morto havia dado entrada na Cadeia Pública após ter a prisão preventiva decretada em investigação conduzida pela Polícia Civil, por meio da Delegacia da Mulher de Toledo, com apoio da 20ª SDP. O caso ganhou repercussão após a divulgação de que o investigado, morador do Jardim La Salle, em Toledo, teria instalado uma câmera escondida no banheiro de sua residência para registrar imagens íntimas de mulheres sem o consentimento delas.

De acordo com informações repassadas anteriormente pela delegada Ana Cris Oliveira, responsável pela Delegacia da Mulher, as investigações avançaram após as vítimas tomarem conhecimento dos vídeos e procurarem a unidade policial. O material apresentado indicava que as gravações teriam sido feitas de forma clandestina, com posterior compartilhamento das imagens com terceiros, ampliando a violação da intimidade e da dignidade das vítimas.

Até então, cinco mulheres haviam sido identificadas como vítimas, todas maiores de idade e pertencentes ao círculo de convivência do investigado, incluindo amigas, parentes e pessoas próximas. Três delas já haviam prestado depoimento formal, enquanto outras duas estavam intimadas para serem ouvidas. Equipamentos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão foram encaminhados para perícia técnica, etapa essencial para a conclusão do inquérito.

A Polícia Civil reforça que, mesmo diante da morte do custodiado, os procedimentos legais seguem em andamento. Somente após a conclusão dos laudos periciais será possível esclarecer definitivamente o caso.

A instituição também destaca a importância das denúncias em situações de violência e crimes contra a dignidade sexual. Mulheres vítimas de qualquer tipo de violência podem buscar apoio por meio do telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia e realiza orientações, registros e encaminhamentos à rede de proteção.